Cinquenta mil pessoas são hoje aguardadas na Praça de São Pedro, Vaticano, para festejar os 83 anos que o polaco Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, hoje celebra. Entre os presentes, deverá estar o Presidente da Polónia, Aleksander Kwasniewski.
A data é assinalada na altura em que o Vaticano já prepara a 100ª viagem pontifícia (Croácia, em Junho) e poucos meses antes de se completarem 25 anos da eleição do primeiro Papa polaco da história do catolicismo.
Ontem, o Papa recebeu um doutoramento “honoris causa” em Direito pela Universidade La Sapienza, de Roma, ao mesmo tempo que o Vaticano anunciou a criação de duas novas diocese no Cazaquistão. Hoje, mesmo sendo dia de aniversário, João Paulo II terá que fazer: durante a missa que celebrará na Praça de São Pedro serão canonizados quatro novos santos (dois religiosos polacos e duas religiosas italianas), aumentando assim para 473 o número de canonizações por ele já proclamadas.
“O Papa, que fala bem inglês, não conhece o significado da palavra ‘weekend’ [fim-de-semana]”, ironizou ontem o seu porta-voz, o espanhol Joaquin Navarro-Valls, numa entrevista ao diário italiano “La Stampa”. João Paulo II trabalha muito e as viagens, apesar das suas enfermidades, são para ele um “alívio”, até porque “durante um dia normal, o Papa trabalha mais que uma pessoa com menos vinte anos”, diz Navarro-Valls.
Na mesma entrevista, o porta- voz confirmou que está a ser preparada uma visita à Mongólia, em Agosto, que ainda não foi anunciada oficialmente. “A Mongólia poderia ser incluída pela Organização Mundial de Saúde entre os países com risco” de pneumonia atípica e essa questão terá de ser pesada pelo Vaticano. A hipótese de parar em Kazan (na república russa da Tartária), para entregar o ícone da Mãe de Deus de Kazan à Igreja Ortodoxa “é uma possibilidade”, admitiu Navarro-Valls, mas só o Papa decide “quando e como dar este ícone ao povo russo”.
Para este ano, ainda estão previstas viagens à Bósnia, no final de Junho, e à Eslováquia, em Setembro. João Paulo II sofre de Parkinson e de artrose, mas nos últimos meses apareceu com melhor aspecto. O cardeal Giovanni Battista Re, presidente da Congregação dos Bispos, afirmou, também ontem, em entrevista ao “La Stampa”, que isso se deve à oração: “O Papa colocou-se nas mãos de Deus”, afirmou.
Já antes, o Vaticano atribuíra as melhoras a mais descanso e a fisioterapia. “Uma das coisas mais emocionantes é o modo como o Papa soube assumir as inevitáveis limitações físicas”, acrescentou o porta-voz.
Em Outubro, quando se completarem 25 anos sobre a eleição deste Papa, poderá ser realizada uma reunião de cardeais, informou Navarro- Valls.


